top of page

Como nossos pais: compreendendo a transgeracionalidade e o humano em nossos pais.

  • Foto do escritor: Livia Jasper
    Livia Jasper
  • 27 de jun. de 2022
  • 2 min de leitura

Trans·ge·ra·ci·o·nal (Falcke e Wagner, 2005)

  • O termo transgeracionalidade refere-se a padrões transmitidos de pais para filhos, perpassando gerações e apresentando-se como modelos que podem ser percebidos na maioria das relações estabelecidas durante a vida.

De acordo com a psicanálise vincular, o que se transmite é aquilo que não pode ser contido. O que não encontra inscrição no psiquismo dos pais é depositado no psiquismo da criança, como traumas, lutos não realizados, a vergonha, as doenças e a falta. (Correa, 2004)

Nos primeiros estudos realizados, foram explorados os efeitos da guerra e da imigração ao longo das gerações, onde constatou-se que, questões não elaboradas da primeira geração eram encontradas em seus descendentes, passando de pai até os netos. Sendo que nestes, havia uma maior probabilidade de que buscassem resolução.

Muitas vezes para conseguirmos quebrar um ciclo em nossa vida, é necessário quebrar um ciclo que vem acompanhado de toda uma historicidade para além de nossa vivência. Para exemplificar, podemos pegar o caso do divórcio. Pode ser que para eu conseguir ter forças de me divorciar de meu parceiro, eu precise ter forças também para romper com as convicções de toda uma geração que encarou o divórcio como algo errado, como algo para se ter vergonha.

Quando somos pequenos, achamos que nossos pais são invencíveis e que de tudo sabem, mas ao crescermos percebemos que o humano que há em nós é o humano que há neles. Assim como nós, nossos pais também carregam suas próprias marcas, que herdaram de seus pais que herdaram de seus avós. E, da mesma forma que para nós é difícil romper com um ciclo vicioso, para eles também pode ser.

No exemplo do divórcio, para uma mãe aceitar que sua filha deseja se divorciar, a mãe também precisa aceitar o divórcio como possibilidade, no sentido de: ela também deve aceitar uma ideia contrária à que foi ensinada em toda sua vida.

Ainda hoje se está presente em muitas famílias a ideia imaculada de casamento, onde as questões conjugais são mantidas encobertas. Dessa forma, se divorciar jogaria sob o holofote as problemáticas que um relacionamento pode ter. No caso da mãe, ela estaria assumindo que existem sim dificuldades conjugais as quais ela também pode estar sujeita.

Por isso, conheça sua história, conheça de onde vem e que marcas possivelmente carrega consigo. Ao conhecer sua história, você conhece a de seus pais e o quanto eles também sofrem com suas histórias não elaboradas. Da mesma forma que você pode achar difícil romper com uma repetição desagradável, seus pais também podem estar na mesma situação. Porque no fim, querendo ou não, somos humanos (assim) como nossos pais.


Referências


  • Falcke, D. & Wagner, A. (2005). A dinâmica familiar e o fenômeno da transgeracionalidade: Definição de conceitos. In A. Wagner (Org.), Como se perpetua a família? A transmissão dos modelos familiares (pp. 25-46).

  • Ruiz Correa, O. B. (2004). Transmissão psíquica entre as gerações. Psicologia USP, 14(3), 35-45.




Posts recentes

Ver tudo

Comentários


©2021 por Lívia Jasper

bottom of page